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Vol. 12, N.º 8
5 de agosto de 2026
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Revisão · SOP

Metformina e inositol na síndrome dos ovários policísticos

O que a evidência sustenta em 2026

Camila Bastos, Rodrigo Leão

5 de agosto de 2026 · Vol. 12, N.º 8 · 14 min · DOI 10.55555/tfc.2026.0804

Uma leitura crítica de 38 ensaios: o efeito sobre ovulação é real, o efeito sobre nascido vivo permanece indefinido.

Resumo

Escopo

Revisão narrativa estruturada de 38 ensaios randomizados publicados entre 2005 e 2026, com foco em ovulação, gravidez clínica e nascido vivo.

Principais achados

Metformina aumenta a taxa de ovulação de forma consistente. O mio-inositol apresenta efeito metabólico semelhante com menos efeitos adversos gastrintestinais, porém com ensaios menores e mais heterogêneos. Nenhum dos dois demonstrou, de forma robusta, ganho em nascido vivo quando associado ao letrozol.

Aplicação

A indicação mais defensável é metabólica, não reprodutiva.

Por que revisitar o tema

A síndrome dos ovários policísticos é a causa mais comum de anovulação. O letrozol consolidou-se como primeira linha para indução da ovulação, e as medicações sensibilizadoras de insulina passaram a ocupar um papel adjuvante mal definido — prescritas com frequência, sustentadas por evidência que raramente é lida na íntegra.

O que os ensaios mostram

Nos estudos com desfecho de ovulação, o efeito é reprodutível. Quando o desfecho avança para gravidez clínica, os intervalos de confiança se alargam. Quando chega a nascido vivo, a maioria dos ensaios simplesmente não tem tamanho para responder.

Essa degradação progressiva da certeza ao longo da cadeia de desfechos é o padrão mais importante desta literatura, e é o que costuma se perder na tradução para a prática.

Figura 1. Ovulação: metformina versus placebo

35 a 37 anos38 a 40 anosAMH < 1,0 ng/mLAMH ≥ 1,0 ng/mLPrimeiro cicloCombinado0,60,811,31,6risco relativo (IC 95%)
Risco relativo por ensaio, com estimativa combinada por modelo de efeitos aleatórios.

O que fazer na consulta

Tratar o componente metabólico quando ele existe, com alvo metabólico. Induzir ovulação com letrozol. Não prometer ganho reprodutivo que a evidência não sustenta.

Referências

  1. Bastos C. Letrozol como primeira linha: dez anos depois. TFC. 2023;9(5):301-9.
  2. Leão R. Mio-inositol: farmacologia e limites dos ensaios disponíveis. Endocr Reprod. 2025;18(2):77-90.

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