Aos 32 anos, 15 ovócitos maduros dão cerca de 70% de chance de ao menos um nascido vivo; aos 39, o mesmo número entrega menos da metade disso.
Escopo
Revisão de modelos preditivos de nascido vivo a partir de ovócitos vitrificados, com curvas por idade no congelamento.
Principais achados
A idade no congelamento é o determinante dominante; o número de ovócitos age como modulador. Abaixo de 35 anos, o retorno marginal por ovócito adicional cai visivelmente após o 15.º. Acima de 38 anos, permanece alto e não satura na faixa clinicamente alcançável.
Aplicação
A conversa deve começar por idade e expectativa, não por número.
O problema da pergunta errada
A pergunta que chega ao consultório é quase sempre "quantos óvulos eu preciso congelar". A resposta útil raramente é um número: é uma curva, e a posição da paciente nessa curva é definida antes de tudo pela idade em que ela congela.
O que a modelagem mostra
Para uma mulher de 32 anos, a probabilidade de ao menos um nascido vivo cresce rapidamente até cerca de 15 ovócitos maduros e depois desacelera. Para uma mulher de 39, a mesma curva é mais baixa e mais lenta, e continua subindo em faixas que exigiriam múltiplos ciclos.
Figura 1. Probabilidade de ao menos um nascido vivo
O que dizer
Apresentar a curva, não o número. Deixar explícito que congelar não é garantia, e que a taxa de utilização observada — em torno de 12% em coortes com seguimento longo — importa tanto quanto a taxa de sucesso.
Referências
- Prado L. Taxa de utilização de ovócitos vitrificados em dez anos de seguimento. TFC. 2025;11(6):288-95.
- Vidal E. Modelos preditivos em preservação eletiva: validação externa. Cad Reprod Hum. 2026;13(1):5-14.