Uma investigação estruturada, e o achado que só apareceu na histeroscopia.
Apresentação do caso
Mulher de 36 anos, nuligesta, encaminhada após quatro transferências de embrião único euploide sem implantação, todas em ciclo com preparo endometrial artificial. Ciclos menstruais regulares. Índice de massa corporal de 23,8. Hormônio antimülleriano de 2,1 ng/mL. Parceiro com espermograma normal.
Investigação
Ultrassonografia transvaginal sem alterações. Ressonância magnética descrevendo útero de morfologia habitual. Cariótipo do casal normal. Pesquisa de trombofilias hereditárias negativa. Anticorpos antifosfolípides negativos em duas coletas.
A histeroscopia diagnóstica revelou endometrite crônica, confirmada por imuno-histoquímica com marcação para CD138 em plasmócitos do estroma endometrial — achado que os exames de imagem não haviam sugerido.
Conduta e evolução
Tratamento antibiótico dirigido, com histeroscopia de controle demonstrando resolução. A quinta transferência, também de embrião único euploide, resultou em gestação evolutiva, com parto a termo de recém-nascido saudável.
Comentário
A endometrite crônica é subdiagnosticada porque é silenciosa e porque a imagem não a mostra. Em falha de implantação com embriões euploides, a histeroscopia com biópsia dirigida deixou de ser exame de exceção.
O caso também ilustra o custo de uma investigação organizada por disponibilidade em vez de por probabilidade: quatro transferências consumiram dois anos e cinco embriões antes de um exame de baixo custo apontar a causa.
Referências
- Machado T. Endometrite crônica e falha de implantação: revisão de critérios diagnósticos. TFC. 2024;10(8):390-8.
- Salles I. Histeroscopia antes da primeira transferência: vale a pena? Cad Reprod Hum. 2025;12(2):101-8.